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VOCÊ ESTÁ SOZINHO NESSA. E ESTÁ TUDO BEM (Opa, não é bem assim)

Mr. Robot

Hoje acordei e li o texto da Cátia Rodrigues, no Obvious. Texto interessante, sobre como as pessoas iniciam suas vidas sob a proteção materna, e de como é a realidade do mundo, em que você se encontra solo daí pra frente. Bem, o texto diz bem sobre o aprendizado para a maioria das pessoas. Concordo com a Cátia quando diz que em verdade, estaremos sempre sozinhos, que o importante é aprendermos a nos amar, e etc. Como disse, talvez para pessoas que não sintam solidão constantemente, essa teoria pode rodar bem. Mas, para os que sempre vivem sozinhos, a questão é um pouco mais complexa.

Hoje, pelos relacionamentos superficiais, desencontros de interesses e vida dedicada à outras situações como trabalho, estudo, é cada vez maior o número de pessoas sozinhas em grandes cidades, o que não deixa de ser um paradoxo: as áreas com maior concentração de pessoas ao mesmo tempo é onde residem grande parte dos solitários modernos. Estes não costumam ter muitos círculos de amizades, e por isso acabam não tendo oportunidade de sair, ir à eventos em que normalmente costumamos ir em grupos, ou apenas da uma saída para espairecer. Claro, algumas formas diferentes de se distrair sempre estarão à mão, como fazer uma corrida, pedalada, um cinema ou simplesmente caminhar sem muito destino. Mas, sentar-se à mesa de um bar sozinho na sexta à noite passa a ser uma experiência um pouco triste quando se está sozinho, e por mais que você saiba que a natureza do ser em sua essência é esta, é difícil se conformar com esse status.

Elliot Alderson, da série Mr. Robot, exemplifica bem o cidadão moderno, não o comum, mas um cidadão que passa a ser cada vez mais aparente nas grandes cidades. Uma pessoa que vive consigo mesmo, e seus traumas, lembranças, desejos. Seu círculo social é pequeno, limitado à alguns familiares, amigos ativistas e mais nada. Convive diariamente com sua inconformidade com o mundo, ironiza o estilo de vida Starbucks, e passa noites em claro em frente ao computador ou seu Smartphone. Claro que Elliot é um caso extremo, mas com tudo na vida, não existem cortes secos, e nessa zona cinzenta que leva do extremo à norma, há um exército de pessoas sentindo-se solitárias e sem muita alternativa para mudar isto.

Portanto, os benefícios e aprender a conviver sozinho são bons até um certo ponto, quando isso passa a se tornar um comportamento frequente, a história de aprender que não existe ninguém ao seu lado e viva a sua vida consigo mesmo não é tão romântica e satisfatória.

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A vida solitária

Após a formação, uma pausa nas corridas e consumo de filmes europeus e cervejas alemãs, começou o processo de lonelyzação. Altas doses de trabalho para passar o tempo, a dedicação até altas horas para complementar o tempo que outrora era dedicado à faculdade. Junte isso a pilhas e pilhas de livros sobre comportamento, economia, neurociência e tecnologia. Pronto: o passatempo está montado. 

Os melhores amigos só te chamam agora quando vão casar ou quando a chegada do filho está próxima. As opções de companhia são reduzidas, ainda existem, mas são parcas.
Passeios de bike, long ou corridas pela cidade se tornam mais constantes ao passo que você não dispõe de muitas opções de lazer, embora elas existam mas você inconscientemente as nega.
Com o tempo, a pesquisa e estudo passam a se tornar um passatempo mais frequente: não é necessário sair de casa, tampouco ter que se aventurar pelo mundo é ser mal recebido quando você aparece.
E de repente, você começa a se tornar hipocondríaco, achando que tem todas as doenças do mundo. Se você sente o sangue circulando do pescoço até a nuca, começa a imaginar que algo está errado.
Nessas horas eu começo a perceber que tenho que sair de qualquer forma, mesmo que as amizades que combinam que vão sair com você cancelam o almoço de última hora. Neste dia, o que importa é efetivamente não ficar em casa.
A ida a casa dos parentes não são tão agradáveis, não pelos parentes, mas pelo costume de não estar no mesmo lugar de conforto.
Não seguir a norma tem seu preço: não casar cedo, não gostar da música popular, estudar e escolher demais a mulher da sua vida tem dessas.
Aproximar-se das pessoas nos últimos anos tem sido uma tarefa complicada, ainda mais quando não se tem vontade de conhecê-las. Exercitar a difícil tarefa de convívio em sociedade quando se deixa de tê-las por um período é bastante complicado. É como perder peso depois dos 30. Não é impossível, mas requer dedicação e tempo, duas coisas que achamos que nunca temos.
Enfim, voltar a socializar é uma tarefa complicada para quem se acostuma demais a viver a vida por si só. Quem está de fora não tem ideia da dificuldade que é conversar com um estranho ou tentar se enturmar em um grupo novo.
Seguimos tentando 

Ela curtiu

Às vezes me lembro, vagamente, dos momentos em que sorrimos um para o outro. Ela me parecia verdadeira, autêntica. Um sorriso.

Os dias passam rapidamente. Quase não vejo mais os amigos e as flores.

…E as ruas…

Cercado por metais de todos os lados, visão periférica afetada pelos beeps e taps, por alguns instantes saio da vida real, e entro dentro o virtuoso mundo das vias neurais.

Eu e todos ao meu lado. Já não conversamos mais: Conversamos mas… seja o que for. O que está mais próximo é o ponto mais distante da rede.

Um dia desses à noite tentei entender porque as pessoas sentem necessidade uma das outras. Tentei lembrar dela, de algum indício que me faria acreditar que o sentimento dela era verdadeiro. Retrocedendo em minhas memórias e nos gestos mais simples e sutis que ela era capaz de fazer: Não encontrei.

Talvez eu tenha me enganado durante todo aquele tempo: Nós não existíamos. Existia o eu, e o ela. Sim, isso. Sim.

Ruas escuras e sons ultrapassam o fone e permeiam a caixa craniana. Cidades cheias de pessoas vazias. Redes cheias de pescados. Laiques e likes aleatórios pelos nós de uma sociedade doente. É isso que….

…..deixa…..

….pra.

<Esperança> Ano passado cheguei a pensar que o contrário existia. Chances, possibilidades. Quando fui AO (não DE) encontro dela, as paredes caíram. Senti naquele momento que não, ela também.

Eu nem a conhecia pessoalmente. Parecia a forma mais pura de contato que os últimos anos que havia permitido. Mas eu ouvia ao fundo uma voz que me di[zia]:

Esta é a sua última chance, meu amigo. Em caso 0 (False) e não -1 (True), saiba que não haverá ‘On error resume next. Apenas o ‘On error Go To 0.

Sim, foi. Melogr… sim! Tinha um sinal de wi-fi excelente. Nada mais. Barreiras sociais, culturais e wi-fis me impediam de prosseguir. Ainda assim o tonto aqui sentiu-se feliz por levá-la.

</Esperança>

Hoje chove, e como anos atrás, a chuva remonta aos momentos da vida. O que passou, o que passa e o que virá. Algumas tristes lembranças de uma farsa, um punhado de alegrias recortadas como fotos antigas corroídas pelo tempo e o tempo líquido se esvaindo pelas ruas esburacadas.

Dezembro também me deixou na dúvida: Ela realmente sentia isso? Era real? Por desconfiança, cortei. Não se ama a quem não lhe conhece plenamente.

Os amigos tentaram aquela lá de olhos puxados, mas existem preferências delas que eu nunca serei capaz de atendê-las.

Um pente de 2GB fora do case, pois o slot foi danificado e consequentemente estou rodando com menos memória.

…Eu deveria aprender mais com a minha CPU

Medianeras (Como encontrar o amor se você não sabe onde ele está?)

Medianeras - Como encontrar o amor se não sabe onde está?

Medianeras – Como encontrar o amor se não sabe onde está?

Ontem escolhi um filme diferente para assistir. Nos últimos anos não tive muita paciência para assistir filmes sobre relacionamentos, mas este parecia bem interessante.

Medianeras é um filme argentino, que discursa sobre as relações sociais e os enlaces em tempos de relacionamentos virtuais e suas implicações, em uma metrópole caótica como Buenos Aires, os personagens veem em sua arquitetura uma analogia às relações sociais, como se o estilo arquitetônico e a mistura de estilos refletissem o sentimento da população que ali vive. Os protagonistas Martin e Mariana vivem no meio desta cidade, passando pelos sentimentos que alguns de nós também deve sentir em alguns momentos: solidão, carência, tristeza ou simplesmente um vazio.

Martin é um Jovem WebDesigner que passa boa parte do dia trabalhando em casa, sem muito contato com o mundo exterior. Sua namorada o deixou para viver nos Estados Unidos, e ele acabou ficando com o cachorro de estimação dela. Fora isso, o jovem não tem muitos relacionamentos ou uma vida social agitada. Encontros casuais com algumas mulheres por vezes preenchem o seu vazio por um curto espaço de tempo. Mas logo que começa a sentir afeição por elas, não consegue vê-las novamente.

Mariana é recém formada em arquitetura, mas trabalha como vitrinista pelas Lojas da cidade. Eventualmente conhece um homem ou outro, mas não consegue se apegar a nenhum deles. Seu último relacionamento a fazia se sentir “cada vez mais distante” como ela mesmo diz a certa altura do filme. Ainda assim, sente falta de uma companhia, alguém que possa lhe confortar nas noites silenciosas que passa em seu flat sem janelas.

O ponto central do filme é sobre a solidão urbana. Não a solidão cantada em romances e filmes blockbuster, mas a solidão muito mais próximas de nós que vivemos nas grandes cidades. Como o autor do filme (Gustavo Taretto) diz: “A solidão que sentimos quando estamos rodeados de desconhecidos”

Talvez você se pergunte: o que é “Medianeras” (Eu fiz esta pergunta pelo meu ínfimo conhecimento de espanhol)? Pois bem,  medianeras (ou pared medianera) é o nome dado as paredes sem janelas dos edifícios, também chamadas de paredes cegas. Geralmente, são as paredes laterais de um prédio, que, por sua proximidade com o edifício vizinho, não se pode “abrir janelas”. Muitas vezes, estes espaços são usados para afixar outdoors ou algum tipo de publicidade. O filme traça uma analogia muito boa com a falta de janelas em nossas vidas, e como a ausência o faz viver em um mundo fechado, mesmo que as melhores oportunidades de sua vida possam estar na mesma quadra em que você mora.

Gostei do filme, pois une três coisas que tenho convivido muito nos últimos anos: solidão, metrópoles e relações virtuais. Se você dispor de um tempo e quiser conhecer um filme com este tema, tenho certeza de que não se arrependerá de assisti-lo

Se eu tivesse a bike eterna (o eterno pedal)

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Ah, eu não sentiria essa solidão no peito
Não ficaria triste ao ver um casal se beijando
Não precisaria ver as cenas da vida
É como estar em um carro
Mas carros não tem graça. São de uma solidão passiva
Queria mesmo e poder andar sem destino
Mas com destino certo
Não preciso ver falsos amores
Nem elas com eles (o padrão se repete)…

…da ausência dos sentidos

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Voltando para casa, eu posso notar,  mais do que qualquer outra pessoa, as sensações.

A cada olhar, um abraço apertado, sorrisos…

Gestos delicados de uma mulher a um rapaz, o cuidado com que as moças mexem no cabelo quado conversam com os homens. O olhar do cavalheiro ao oferecer passagem para as damas.
Pequenos gestos…

Hoje, e não só hoje: a muito tempo. Tenho visto estas pequenas demonstrações de afeto e carícias. Desde 2010, quando eu descobri que não fui feito para o amor, passei a sentir muito mais as sensações que o amor causa na gente. Tenho visto milhares de casais nestes três anos de solidão, e suas graduações de ternura e afeto.
Lábios próximos, toques. Mãos no pescoço, olhos fechados. Um simples toque no corpo do outro, como se uma pessoa pedisse a outra um pouco de proteção. São sinais que eu não recebo mais, mas posso ver em todos aqueles que tem um cúmplice no crime de amar.

De fato, a ausência aguça os sentidos. Assim posso dizer que sinto muito mais o amor agora do que quando estava acompanhado.

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