Arquivo da categoria: Amor

5 lugares em São Paulo para você paquerar na vida real

O Yelp fez uma seleção de 5 lugares em Sampa que merecem destaque pelo clima mais despojado, propício à conversas e bom para conhecer pessoas novas. Eu já me comprometi de visitar ao menos dois desses lugares para ver como é realmente. Os 5 lugares estão listados abaixo:

  1. Noname Boteco – “O Noname é o melhor lugar pra juntar uma galerinha e estender o happy hour até depois da meia noite. Com decoração lúdica, nos finais de semana sempre lota” Layla L.
  2. Pitico – “É aquele lugar que qualquer pessoa curte… sem frescura, com uma galera bonita, preços acessíveis e ar descontraído com as cadeiras de praia, bancos e mesas espalhados. Um bom lugar para um esquenta e para paquerar também” Thais C.
  3. Mercearia São Pedro – “É aquele lugar que qualquer pessoa curte… sem frescura, com uma galera bonita, preços acessíveis e ar descontraído com as cadeiras de praia, bancos e mesas espalhados. Um bom lugar para um esquenta e para paquerar também” Thais C.
  4. Dona Flor Bar – “Se você procura um barzinho em Moema, com gente descolada, música ao vivo, comida e bebida boa, este é o lugar! Sábado a noite pra badalar, se divertir e paquerar!”
    Claudia M.
  5. Gracia – “As mesinhas de fora são legais para os grupos que não estão tão interessados em curtir o som. A faixa etária dos frequentadores é entre 22 e 28 anos, no máximo, todos bem apessoados. A minha Bloody Mary veio bem feita.”
    Carla M.

E você, conhece outros lugares bacanas por Sampa onde podemos conhecer gente nova? Sugira aqui também alguns lugares pois estou precisando conhecer 😛

 

Anúncios

A vida solitária

Após a formação, uma pausa nas corridas e consumo de filmes europeus e cervejas alemãs, começou o processo de lonelyzação. Altas doses de trabalho para passar o tempo, a dedicação até altas horas para complementar o tempo que outrora era dedicado à faculdade. Junte isso a pilhas e pilhas de livros sobre comportamento, economia, neurociência e tecnologia. Pronto: o passatempo está montado. 

Os melhores amigos só te chamam agora quando vão casar ou quando a chegada do filho está próxima. As opções de companhia são reduzidas, ainda existem, mas são parcas.
Passeios de bike, long ou corridas pela cidade se tornam mais constantes ao passo que você não dispõe de muitas opções de lazer, embora elas existam mas você inconscientemente as nega.
Com o tempo, a pesquisa e estudo passam a se tornar um passatempo mais frequente: não é necessário sair de casa, tampouco ter que se aventurar pelo mundo é ser mal recebido quando você aparece.
E de repente, você começa a se tornar hipocondríaco, achando que tem todas as doenças do mundo. Se você sente o sangue circulando do pescoço até a nuca, começa a imaginar que algo está errado.
Nessas horas eu começo a perceber que tenho que sair de qualquer forma, mesmo que as amizades que combinam que vão sair com você cancelam o almoço de última hora. Neste dia, o que importa é efetivamente não ficar em casa.
A ida a casa dos parentes não são tão agradáveis, não pelos parentes, mas pelo costume de não estar no mesmo lugar de conforto.
Não seguir a norma tem seu preço: não casar cedo, não gostar da música popular, estudar e escolher demais a mulher da sua vida tem dessas.
Aproximar-se das pessoas nos últimos anos tem sido uma tarefa complicada, ainda mais quando não se tem vontade de conhecê-las. Exercitar a difícil tarefa de convívio em sociedade quando se deixa de tê-las por um período é bastante complicado. É como perder peso depois dos 30. Não é impossível, mas requer dedicação e tempo, duas coisas que achamos que nunca temos.
Enfim, voltar a socializar é uma tarefa complicada para quem se acostuma demais a viver a vida por si só. Quem está de fora não tem ideia da dificuldade que é conversar com um estranho ou tentar se enturmar em um grupo novo.
Seguimos tentando 

Ele Tirou a Pele Para Mim (HE TOOK OFF HIS SKIN FOR ME)

HE TOOK OFF HIS SKIN FOR ME  / Ele Tirou a pele pra mim

HE TOOK OFF HIS SKIN FOR ME / Ele Tirou a pele pra mim

“É isso que você quer? Ele disse. E eu disse que sim… então ele tirou a pele para mim.”

“Ele era bonito, brilhante órgãos vermelhos e ossos nítidos. Eu vou ao seu encontro para abraçá-lo. Senti seus músculos molhados nus contra meus braços.

Aconteceu pouco antes do jantar. Sentou-se à mesa, fresco como o novo corte de cordeiro que comprei no mercado naquele dia. Cada mordida e sua boca era um rumor delicado, como o braço, mão e mandíbula. Quando ele se levantou para limpar a mesa, eu limpei o rastro do sangue em seu assento antes que percebesse o que seu corpo exposto tinha deixado para trás.
Ele pendurou a pele em um armário, esticada em um cabide de arame ao lado de casacos, ternos e gravatas. Às vezes, pela manhã, pela abertura dos meus olhos na cama, eu o vi levantar a pele do armário e mantê-la ao seu corpo como se estivesse pensando, é isso que eu sinto vestindo hoje? É este o estado de espírito correto? Então, lembrando-se, enfiou a pele de volta para o armário e tirou uma camisa em seu lugar.
As pessoas comentavam sobre sua aparência diferente, mas não conseguia colocar o dedo sobre ele. Você perdeu peso? elas perguntavam, arranhando seu queixo.
De certa forma sim, ele dizia. Sorrindo um sorriso vermelho para mim.
Frases curtas eram diferentes para dele. Ele amava as palavras, gostaram muito de utilizar as diferentes formas  para dizer a mesma coisa uma e outra vez até que ele tinha certeza de que ele foi totalmente compreendido. Mas ele  tinha menos a dizer agora, ou sentiu que já estava dizendo.
Eu tinha que lavar os lençóis de cama com mais freqüência, uma vez por dia, quando podia. Os cobertores absorviam o cheiro do seu corpo aberto durante o dia, muito tempo depois que ele tinha ido para o trabalho. Tomei banho mais vezes também. À noite, ele me segurou e de manhã eu tirei minhas roupas fora como uma coxa suada em uma cadeira de plástico quente.
Fazer amor não foi diferente. Isso me surpreendeu, mas quando eu pensei sobre isso, eu percebi que era o mesmo, apenas duas pessoas mostrando uns aos outros como eles se parecem sem pele.
Enquanto ele estava no trabalho, eu iria verificar a pele no armário para se certificar de que ele não estava vestindo-a por aí. Ele me disse uma vez que ele não estava tendo tanta sorte com os clientes. Eu disse-lhe que eram os clientes errados.
As pessoas certas não se importam, eu disse. As boas pessoas virão.
Ele disse que ia ficar sem dinheiro se esperasse apenas pelas as pessoas boas.
Eu disse que estava tudo bem comigo.
Nós paramos de sair para restaurantes ou bares e usamos as economias para aquecer a casa. Ele ficava gelado fácil e andava com um cobertor sobre os ombros nus do músculo, levando xícaras de chá quente. Ele derramou seu copo de uma vez. Ele não conseguia esconder as lágrimas de mim, porque não havia guardá-las de volta.
Uma noite, subiu na cama e as luzes estavam apagadas, mas eu podia sentir que ele ainda olhava para mim, uma sensação que eu tenho sentido muito nestes dias. Sentei-me. Eu acendi a luz.

O quê? Eu perguntei.
Eu esperava que ele dissesse: “nada”, porque isso é o que ele costuma dizer quando eu perguntei, o quê? Ele gostava de manter algumas coisas privadas, porque eu podia ver tudo o resto.
Mas ele não disse nada. Ele não disse nada. Ele apenas ficou lá. Eu assisti o pulso ao lado de seu pescoço, um tremor persistente da vida. Olhei para sua virilha, olhei para seus pulsos. Tudo estava pulsando.
Ele olhou para mim, os olhos marejados. Ele pegou meu braço com os dedos vermelhos quentes.

Eles param de se falar. O silêncio é ensurdecedor. Ela começa a se preocupar que ele possa estar arrependido.

Ele está.”

 

 

Quando vi esse texto no perfil do Desiludindo S/A, me identifiquei na hora com o personagem que retira a pele por amor à sua mulher, e recebe absolutamente nada em troca. “Ele Tirou a Pele Para Mim” é uma adaptação de um conto da premiada escritora Maria Hummer. É uma história sobre os sacrifícios que fazemos para a pessoa que amamos e os problemas que encontramos quando os sacrifícios se tornam unilaterais.

Eu nunca fui um cara bem aventurado do amor. Desde pequeno, venho enfrentando os sacrifícios unilaterais. As últimas histórias de amor têm parecido mais uma história de terror do que um romance.

Meu último namoro, de quase 5 anos, resume bem este conto da Maria Hummer. Havia muita dedicação da minha parte, sacrifícios e abdicação de amigos e desejos pessoais. Coisas que sem perceber, acabei deixando de fazer para agradar uma pessoa que aparentemente era minha companheira. Atravessava a cidade toda a semana para vê-la, sem perceber que isto não significava absolutamente nada para ela. Antes disso, havia passado seis anos triste pela perda de um amor de colégio.

No último ano me apaixonei por uma amiga. Algo quem sentido, talvez do instinto humano de imaginar que você precisa de uma companheira ao seu lado. Então o lado direito do corpo acaba exercendo seus dons: Criatividade, imaginação e quimeras foram formadas a partir de uma ínfima esperança de um romance. Bem, o final não foi dos melhores: Assim que ela ficou sabendo que eu a admirava, fui excluído da vida dela, e fiquei sem nenhum tipo de contato por 1 ano.

A cada dia, noto que é mais difícil encontrar uma pessoa que tenha o mínimo de compatibilidade comigo. E as mulheres têm perdido o interesse em mim. Não sei o que pode estar acontecendo. Eu me esforço bastante para entendê-las, dou o máximo de atenção para deixá-las felizes mas tudo o que recebo em troca é uma indiferença imensa.

Então não tiro mais minha pele por ninguém. Já fiz isso por mulheres que não valeram a pena, e com o tempo, as cicatrizes nos ensinam que não devemos fazer isso novamente.

Texto original da autora em:

http://english.wisc.edu/devilslake/issues/spring2013/Hummer.html

~Paixão~ [Efemeridades]

Me apaixonei ontem, voltando para casa, entre as estações Hebraica-Rebouças e Morumbi. Ela adentrou a composição. Era linda, olhos amendoados, um nariz levemente arrebitado e lábios lindos. Era harmônica, e seus cabelos apresentavam uma leve ondulação que parecia que estava preso durante as horas anteriores.

Olhou pra mim uma vez, com aqueles olhos que derrubariam qualquer coração gelado, e estranhamente pareceu sentir algo em mim que chamou sua atenção. Sorriu.

Durante o trajeto, esteve sempre de costas, mas isso não a inibia de olhar através do reflexo. Eu também a olhei, e por instantes parecia que existia uma simples e pequena cumplicidade entre nós. Eu estava desarrumado. Ela estava linda.

Senti que poderia existir amor, ao menos entre algumas estações. Amor entre as estações de trem pode até acontecer. O que não acontece é amor entre as quatro estações do ano. 

Por uns instantes, me senti correspondido, e então acabou, assim como os sentimentos entre as pessoas. Ela se foi, e tudo voltou ao normal.

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Ontem assisti um filme que há muito tempo havia postergado: Hiroshima Meu Amor. Ultimamente tenho evitado assuntos e conteúdos relacionados ao amor, visto que já entrei em boas enrascadas por conta desse sentimento, e quase perdi uma amizade de anos por conta disto.

O filme, de 1959, extrai com grande competência os sentimentos e as controversas relações amorosas que permeiam a vida humana. A trama entre os dois personagens, Eiji Okada e Emamuelle Riva, ambos casados, se envolvem em uma relação amorosa lembranças de ambos (com maior força à atriz) vêm à tona e desencadeiam uma série de diálogos entre o presente de esperança e o passado trágico, onde Emanuelle perdeu seu amor em Nevers (Curiosamente, em inglês, Nevers faz alusão à palavra nunca) assim que ganhou a liberdade.

Hiroshima Mon Amour

Pequenas frases ao longo do filme me fazem lembrar da minha vida. O filme proporciona esta sensação a todos os expectadores, com frases de efeito e que remetem à lugares, pessoas e lembranças longínquas.

Hiroshima Mon Amour

Estranhamente, esta é a sensação que tenho quando me apaixono por alguém. Ao mesmo tempo que esta pessoa pode trazer o brilho nos olhos, também pode trazer consigo as dores e “mais uma morte” em minha vida. A nossa procura por uma pessoa que realmente nos faça feliz e que entre em nosso mundo para completar a caminhada, rumo a algum lugar deste mundo.

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Ao longo do filme, Emanuelle cita Hiroshima como a cidade onde ela encontrara a Paz. Ela foi para lá para atuar em um filme sobre a paz, e imaginaria que Hiroshima significava o fim da Guerra, e o novo tempo de paz que ela estava procurando. Ao mesmo tempo, tenta resolver seus conflitos psicológicos em um romance com Eiji Okada, Engenheiro e político que conhecera na cidade.

Hiroshima Mon Amour

Utilizei esta frase em 2012. Esquecida entre os dias de outono, e não mais que isso. Na verdade, a primeira vez em que usei com convicção. Então percebi a grande diferença entre as pessoas: O que tem imenso valor para você pode não significar absolutamente nada para outra. Essas palavras, presas por 31 anos e guardadas para uma hora apropriada, foi recebida simplesmente como um conjunto de palavras em significado algum por outrém. Ali eu notei o fim do amor, e que por mais que eu tente lutar contra a ausência dele e tentar driblar o destino, as circunstâncias me provam que sentir algo por uma pessoa, em minha existência, sempre será a opção errada.

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Outra lição aprendida neste ano: acabamos sendo seletivos demais com os outros. Coisas podem acontecer debaixo de nossos pés, e não percebemos.  Apenas notamos o que queremos notar. Eu tento ver tudo o que me circunda, mas o próprio ato de selecionar o que quero ver pode fazer com que perca pequenos detalhes da vida, e dos acontecimentos.

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Esta sequência é muito boa. Explica como somos todos loucos por aqui. O filme é excelente em sua construção, utilizando flashbacks e passagens silenciosas, que o fazem refletir. Nesta passagem, Emanuelle, discursa sobre a loucura, comparando-a com a inteligência. Não podemos de fato explicar o que é loucura. Nem o mais sábio dos seres humanos têm uma definição do que é. Somos todos loucos por aqui. É um estado muito pessoal, de reflexão sobre você mesmo, e sobre o mundo. Mas você não sabe quando isso acontece. Pode ser louco e nem notar isto. Você pode entender o que é a loucura? Sabe diferenciá-la? A personagem explica sobre sua maldade quando achava que estava louca. Mas realmente era um estado em que se encontrava? Não seria má o tempo todo, e então louca por completo?

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour

Hiroshima Mon Amour               Sim, o olhar de uma pessoa que não vemos a tempos denuncia o esquecimento que temos com os outros. Aquele gesto de fechar um pouco mais os olhos ao ver um conhecido, amigo de anos atrás ou tentar lembrar seu nome. Os olhos sempre denunciam o que passamos internamente.

Para quem nunca assistiu, recomendo o filme. Para os padrões atuais, onde as emoções são explicitamente gesticuladas, reações exaltadas por todo o filme, talvez muitas pessoas não entendam a estética de um filme de 1959. Considerada uma obra prima do cinema, esta produção franco-japonesa merece todos os créditos por sua beleza e profundidade ao analisar a memória, a psicologia e o comportamento dos personagens, bem como os traumas que os afligem.

Falta de Educação

Minha mãe me educou muito mal por toda a minha vida. Ela me ensinou a respeitar e amar todas as mulheres. E desde pequeno eu cresci desta forma, nem imaginando que elas gostaam de homens que não lhe dêem atenção, que não ligam para a cor do cabelo ou o perfume novo. Que não percebem a mudança de roupa ou a perda de peso. Gostam de homens que não lembram datas especiais ou do primeiro encontro ou primeiro beijo. Não gostam de homens que fazem surpresas no aniversário ou no dia dos namorados, muito menos de surpresas fora de hora ou de agradecimentos espontâneos.
Sim meu amigo, fui mal-criado. Hoje elas não precisam deste tipo de coisa. Os tempos mudam e estamos no mesmo nível. Não precisam deste tipo de tratamento. Conversas com amigas e a última experiência amorosa comprovam isso. I’m outdated.
Mas, e agora? O que fazer? Tratá-las com indiferença como tenho feito nos últimos anos? Me parece que a estratégia tem dado certo, pois as mulheres que eu menos dou atenção são as que mais me admiram ou se aproximam. Mas eu não consigo ser assim por muito tempo. Sempre tive este defeito de ser atencioso demais. Talvez por ver minha mãe nos olhos de cada uma.
Quem sabe, em alguma constelação ou em outro planeta eu conheça mulheres de uma geração futura, ou de uma geração antiga, que ainda goste de receber um pouco de atenção.
{ Talvez seja por isso que nunca fui bem sucedido no amor… }
Ainda continuo muito resistente a essa história de amar novamente. Os últimos anos não foram muito amigáveis com a minha pessoa. Nunca foram.

Por que você corre?

Lembranças de uma grande amiga - Cabe ao tempo dizer o que é melhor

Bem, correr hoje não estava em meus planos. Nos últimos meses tenho andado muito ocupado, fazendo pesquisa pela faculdade, e isto me toma um tempo imenso. Neste último feriado, nem pude correr ou nadar de bike, pois fiquei "internado" fazendo o andamento da pesquisa, juntamente com suas citações, bibliografias e resultados preliminares. Estava angustiado, e foi quando me aconteceu uma coisa ontem à noite…

Leia mais »

Um novo amor

A vida é sempre cheia de surpresas. Nunca sabemos quando algo pode dar certo, ou dar errado. Assim é a vida. Não o controle sobre o que pode acontecer. Resta a nós controlarmos o presente, pois o passado se foi e o futuro ainda está por vir.

Desde criança eu já praticava esportes, não com a mesma tenacidade que na vida adulta, mas não era uma criança sedentária. Sempre procurava fazer atividades ao ar livre, pois na minha época, isso era muito normal. Cresci sem telefones celulares, alguns vídeo-games (o Nitendinho e o Master System no primeiro momento, e depois o Super Nes e o Mega Drive) mas nada que nos limitasse a ir para rua e passar bons momentos em atividades recreativas.
Então, veio o início da idade adulta: Aquele mundo do corporativismo e trabalho duro e o estereótipo do sucesso contemporâneo: trabalhe muito, conquiste seus objetivos e cresça para o mundo. Trabalho e mais trabalho, faculdade, amores, e o esporte acabou ficando em segundo plano. Me lembro bem dessa época, mas naquele momento parecia tão natural deixar de fazer as coisas que eu nem me dei conta do hiato que estava se formando.
Eu tinha uma paixão, acho que desde os meus 12 anos. Foi quando ganhei minha primeira bike. Lembro até hoje quando meu pai trouxe pra mim uma Caloi Cross, daquelas com “almofadinhas” na barra e placa no guidão e tudo mais. Era uma bike muito bacana para a época. Você podia correr em qualquer lugar, e ela aguentava o tranco. Pistas que nós fazíamos em terrenos abandonados, no asfalto, na terra, em qualquer lugar. A manutenção era feita pela pessoa que vos escreve. Não precisávamos de oficina para bikes. Tudo era feito no quintal de casa ou na rua. Troca de freios, pneus, rodas, ajustes e tudo mais. E olha que tínhamos 12,14 anos!
Confesso que era meio louco nesse tempo, fazia tudo o que podia com ela: Empinar, derrapar, descer belas e grandes ladeiras e o restante das outras loucuras em manobras, como andar sem as mãos, “surfar” na bike, e correr somente com o o pneu da frente. Este é um dos motivos pelo qual nunca comprei uma moto: Minha mãe sempre tinha medo das minhas loucuras com bikes, e achava que eu faria o mesmo se pegasse uma moto.
Talvez crianças entre 12 e 16 anos nem imaginem fazer isso, mas na minha época estes eram alguns dos requisitos para sermos chamados de “Loucos”.
Um pouco depois também comecei a praticar Skateboarding, ou o SK8, para quem é do movimento. Também é um esporte muito bom, sempre gostei de esportes radicais, mas os lugares para se andar acabavam se tornando muito longínquos (para quem morasse em Interlagos) e aos poucos foi cessando a minha motivação para o skate.

Quando estava no ensino médio, passei a usar uma bike compatível com o meu tamanho (afinal, estava crescendo, né?). Foi então que encarei uma aro 26 que minha mãe havia ganho em um bingo como meio de transporte para o curso de inglês que eu estava fazendo. Isso durou 6 meses, visto que durante o curso tive um amor platônico com uma garota chamada Elaine, e depois que tudo acabou, não pude continuar o curso por conta do trabalho que havia arranjado.
Entre 2000 e  o final do ano de 2010, praticamente não realizava nenhum exercício físico além da corrida (que comecei em 2008). Foi através de uma grande amiga que o meu amor voltou a tomar forma.
Então, pelos idos de 2010, eu voltei a encarar uma bike pelas ruas de SP. Ainda um pouco desajeitado, pois não praticava há anos, mas como dizem: Você nunca se esquece como é andar de bike. Uma vez aprendida a lição, você só precisa praticar. E foi assim que aos poucos voltei a entrar nas vias com duas rodas.

2010 – Ciclovia Rio Pinheiros

Inicialmente fazíamos o perímetro mais próximo de casa, e com o tempo os passeios foram tornando-se “pedais”, passeios um pouco mais longos, mas não tão próximos como os passeios para os iniciantes. Mas a minha paixão era latente: Corrida desde 2008 era o q me fazia levantar às 5:00AM em um domingo para correr 5,10 ou 20K.
Agora, depois de quatro anos na ativa como corredor de rua, comecei a procurar novas formas de me manter em movimento. Foi aí que voltei para o meu primeiro amor: a Bike. Mas perae: não foi tão simples assim. Foi um processo de reinserção depois de uns 10 meses que me fizeram voltar a realmente praticar o ciclismo com vontade.
Antes de tudo, minha grande amiga foi o pontapé inicial que me fez voltar a andar de bike. Começamos a traçar rotas e caminhos por vários lugares: Ciclovia, Ciclofaixa, Avenida Paulista, Brooklin, Centro, Vila Olímpia, Santo Amaro e muito mais. Quando vimos já estávamos começando a fazer treinos frequentes de Duatlon, com o Marcos, que tem um background muito forte de bike e nos impulsionou para treinarmos cada vez mais. Começamos a utilizar a ciclovia e ciclofaixa aos domingos, para os treinos de bike, com parada no Parque do Ibirapuera para realizar a transição e praticarmos a corrida em sequência. Tudo no melhor horário possível: A partir das 6, 6:30 da manhã.

Parque do Ibirapuera: 6:40AM em um Domingo: Você está fazendo isso CERTO!

Como estes treinos passei a ter mais contato e notar as diferenças entre os treinos de corrida de rua e os treinos de bike. Por mais que os treinos de corrida sejam democráticos, permitindo que qualquer pessoa em boas condições físicas possa praticar, ainda existe o fator fisiológico, que é limitador para qualquer praticante desta atividade. O que isso significa? Significa que eu não posso chamar o meu vizinho para treinar uma corridinha de 20K com ele, pois nem todos possuem o condicionamento para isso. Corrida de rua é treino, condicionamento,disciplina e equilíbrio psicológico. Para alguns, um treino de 20K pode ser bem exaustivo.
Com a bike, existe a possibilidade de você percorrer maiores distâncias com um esforço bem mais moderado. Embora você precise do equipamento (a bike, óbvio), esse meio é bem democrático, permitindo que jovens, idosos, crianças e adultos possam realizar grande parte das atividades juntos.
Portanto, é mais fácil chamar os amigos para dar uma pedalada pela cidade do que fazer um treino de meia maratona =P
Então, do início do ano pra cá passei a comparecer nas vias e faixas dedicadas a esse meio de transporte nos fins de semana, intervalando com as corridas e treinos na USP (A meca dos corredores de rua).


Idéia #fixa


Pois bem, todo reencontro é cheio de histórias, novidades e novos olhares. E não é que passei a olhar a magrela com outros olhos também?
Eu peguei a mountain bike da Flávia, que está trabalhando fora do Brasil e não pode mais andar, então achou melhor vender pra mim, já que eu “alugava” o equipamento por boa parte do ano.
De mountain bike, você tem a vantagem de poder treinar em qualquer lugar, por pior que seja o piso ou pavimento onde você esteja. Mas acabava ficando difícil para acompanhar o Marcos com sua speed e andar um pouco mais rápido nos fins de semana. Foi quando eu presenciei, em um sábado na estação de metro pinheiros, um cara com uma bike extremamente fina. Mas não foi isso que me chamou a atenção (Além das cores gritantes dela), e sim dessa bike possuir somente uma marcha. Isso mesmo, não haviam outras catracas, facilidades ou complicadores. Nada de cabos de freio, passadores ou outro tipo de intervenção: Somente o quadro, os pneus, e só.

Registro da primeira #fixie em SP



De uns anos pra cá, passei a ter um comportamento muito mais objetivo com tudo, passando também a admirar o minimalismo e adotar práticas simples e diretas. Talvez isso me fez olhar para aquela bike e pensar: “É isso cara! Simple & Clean!”
Acabei nem perguntando pra ele o que era aquilo, mas como sempre, tirei uma foto e fui pesquisar sobre isso.
Foi quando me deparei com um mundo que eu não sabia que existia. O mundo das fixas.
Fixed Gears, Fixie, Fixa, Single Speed, whatever! Se você procurar sobre qualquer um desses termos vai encontrar a mesma coisa: Gente afim de simplificar a vida, e viver livre de amarras.
Comecei a entrar cada vez mais nesse mundo, e continuava a fazer meus pedais brutais aos domingos pela ciclovia, acompanhando da minha Mountain Bike (ou MTB, para os fortes, hehe).
Foi quando, coincidentemente, neste dia em que eu fiz 100K, encontrei com um ciclista com uma fixa exatamente igual a da foto que eu havia tirado no trem, e perguntei onde eu poderia comprar uma igual. Foi quando ele mencionou a tre3e, uma empresa que fabrica essas bikes fixas e e customiza conforme a sua necessidade. Entrei em contato logo na segunda feira com o Flávio, que é o proprietário da empresa para orçar uma como a da foto abaixo:

Uma dica: Se você quiser montar a sua própria bike, também pode acessar o FixieStudio.com e montar a sua



Após receber o orçamento, a criação da minha magrela foi iniciada. Realmente eu estava entrando no mundo das bikes fixas. Se você leitor tiver a oportunidade, experimente andar um dia em uma bike dessas. Você vai entender o sentido da frase: “Reaprendendo a andar”.
Ah, e o resultado foi bem próximo do que eu realmente havia pedido:

Bem, e desde uns 20 dias até agora estou reaprendendo a andar de bike, e continuo percorrendo a cidade na corrida de rua.
Já fiz o meu primeiro passeio ciclístico de bike fixa na companhia da Débora e do Danilo (que já eram bikers antes da minha volta às ruas) que aconteceu neste último domingo no centro de São Paulo. Foi na Eco Bike 2012, e pela nossa animação, muitos estão por vir. O próximo inclusive já tem data marcada: 30/09/2012 – Circuito Pedalar Caloi
Para quem deseja entender mais um pouco como é o mundo das bikes fixas, recomendo assistir antes os dois vídeos abaixo para entenderem um pouco o significado de andar com este tipo de bike:

Macaframa San Fransisco
É uma galera que costuma criar vídeos muito legais sobre a cultura fixie na califórnia, como é o dia a dia de quem anda por São Francisco e suas vias

Mash SF
Um “passeio” com Lance Armstrong pela cidade. Just for fun =)

E claro, alguns sites brazucas sobre esse tipo de bike:
http://www.tagandjuice.com.br/
http://www.tre3e.com/
http://fixedbr.wordpress.com/
http://fixasampa.wordpress.com/

E gringos:
http://mashsf.com/
http://macaframa.com/
http://blackfixie.tw/bft/

Bem, há muito mais pra ser dito sobre bikes. E com certeza será dito, pois a cada dia essa modalidade de lazer e esporte atrai mais adeptos. Ao longo desse ano vamos dividir experiências de corrida de rua e ciclismo, e espero que todos reunidos possamos incentivar outras pessoas a levar uma vida melhor e mais saudável.

%d blogueiros gostam disto: