Arquivo mensal: novembro 2018

8 anos de solidão

Há 8 anos atrás terminava meu último relacionamento. Não imaginaria que seria o início de uma nova jornada em minha vida

Foi em um quarto de motel, em outubro de 2010 que resolvemos “acabar”. Lembro até hoje do momento em que vi 5 anos da minha vida sendo reprocessados em velocidade ultrassônica e momentos depois, não havia mais nada, somente um silêncio estranho de nós que, a partir daquele momento, passaríamos a sermos novamente conhecidos.

Minha vida realmente nunca foi muito populada: meu vínculo naquela época acabou criando uma extensão de família que era a família dela, e tive a grata surpresa de tudo isso de ganhar uma irmã:  a irmã menor dela. Então, a partir de 2011, passei a entrar na jornada da solidão. Não que eu nunca tivesse passado por isso antes, nosso próprio relacionamento nos últimos anos era uma solidão compartilhada, mas deste ano para frente foi o momento em que mais tempo passei dedicado à mim. Esse evento foi o gatilho que encaminhou diversas mudanças em minha vida, tanto a sentimental, agora mais cético quando à real felicidade e sentimento das pessoas, quanto o sentimento de aprender que você necessita ser feliz por você mesmo. Mas as coisas não são tão fáceis assim…

A partir de 2011 desenvolvi uma carcaça dura de penetrar, a carcaça mais forte que já criei em minha vida, que foi a negação de que o sentimento de reciprocidade existe entre pessoas estranhas (entenda-se estranhos como pessoas fora do círculo familiar). Os primeiros anos foram os que dediquei mais tempo à reprogramação da minha vida em atividades lógicas e práticas: trabalho, estudo, esporte, poucos amigos e família. Rodando a fita destes últimos anos vejo como algumas coisas foram perdidas, amigos que eu confiava se afastaram, amores não surgidos e trabalho, muito trabalho apareceu. Me peguei pensando hoje em qual o resumo de tudo isso, se talvez algumas pessoas nascem com algum propósito para a vida e por mais que você lute para mudar essa realidade as circunstâncias da vida tratam de reprogramar a realidade e te colocam exatamente no ponto em que você deveria estar, mesmo você exercendo uma grande força para mudar o momento presente e futuro.

Hoje passei duas horas na cama refletindo sobre os não toques, o efeito de nunca acordar pela manhã com um sorriso ao seu lado, a ausência de palavras de amor e a falta do toque de uma mão parceira, coisas que a humanidade prega como essenciais para uma vida feliz. É engraçado, pois cada vez mais que temos menos estas demonstrações, mais intensas são as sensações proporcionadas por elas, como se a natureza humada reprograma sua cabeça afim de colocar os pré-requisitos básicos do que é ser humano.

Por outro lado, sinto uma grande força contrária da natureza ao me fazer tentar experimentar estas etapas, como se o objetivo que tenho que cumprir nesse mundo não me permite viver plenamente estes efeitos, criando uma “tela” onde eu vejo tudo que ocorre no ambiente, mas ao mesmo tempo sofro das privações que a ordem natural das coisas proporciona em equilibrar os propósitos de vida de cada um.

Há pessoas incríveis e felizes, há os infelizes e os que fingem ser felizes. Mas há os que não se encaixam em nenhum destes três? Existem os que foram feitos para não sentir nada e ao mesmo tempo sentirem todos os três efeitos ao mesmo tempo? A vida corre como se fosse uma dissertação, você observa, analisa os momentos, mas não necessariamente participa deles, como um mero espectador do espetáculo da vida.

Estranho, né? Pois bem, imagino que isso deva passar com vocês em algum momento, uma desilusão sobre a vida, e ao mesmo tempo uma crença de que tudo vai dar certo. Sentimentos contraditórios, estranhos, e que momentaneamente vêm à tona em um mundo onde tudo se acelera em termos de interações e conexões.

Hoje passei por duas horas em que redesenhei 8 anos sem nenhum relacionamento concentro, e é estranho dizer que se passaram 8 anos em que não conheci alguém que pudesse me ajudar nessa caminhada. Por momentos imaginei que haveria uma possibilidade de mudar o rumo das coisas, acreditar e ir frente em um relacionamento, mas parece que a ordem natural me impele de ser feliz acompanhado de alguém. As mulheres com quem me envolvi não necessariamente pareciam me admirar, mas sim apenas tivemos afinidades por um tempo, e quando falo “algum tempo” estou falando em um horizonte máximo de 20 dias, estranho. Comecei a acreditar que amores líquidos estão realmente dominando as relações humanas modernas.

Porém, os últimos anos foram os anos em que mais me descobri como pessoa e descobridor de pessoas. A partir desta solidão, passei a viajar por muitos lugares no mundo dos quais nunca imaginaria estar: Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Colômbia, Costa Rica e Japão. Em cada lugar passei a sentir um pouco mais o que é ser humano, com todas as suas diferenças culturais, formas de ver a vida e alegrias e desgostos. Foram os anos em que mais estudei e me preparei para entender a mente humana, seus processos de tomada de decisão, como a neuro plasticidade influencia na criação de novos hábitos, como trabalhar as emoções e por fim, como tentar ser uma pessoa melhor. Foram anos que tive tempo de sobra para refletir com a minha solidão o papel das pessoas, propósitos e porque estamos aqui. Pude sentir e criar meu propósito mais forte depois de exercitar dia após dia a auto-reflexão.

Não sei se isso foi algo criado por mim (os 8 anos de solidão) ou se alguma força maior quis que isso acontecesse. Prefiro pensar que foram as duas coisas, e não digo que foi algo positivo, senão não estaria escrevendo este texto para desabafar um pouco o momento pelo que estou passando em vida, mas gosto de acreditar que tudo o que passamos em vida nos leva à uma lição para si próprio e para os outros como meio de enriquecimento da civilização. Não sei se este “jejum” vai acabar aos 8 anos, se irá se perdurar ou se algum evento poderá me tirar de cena inesperadamente, enquanto isso, pretendo seguir com minha busca por tornar-se uma pessoa melhor, à procura de algo que as pessoas chama de felicidade, sabe-se lá como e por onde.

Vida que segue.

(Título inspirado no filme 12 years a slave, Metropolis do L’arc~en~ciel e Her)

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São coisas pequenas assim, que nos tomam o prazer de reescrever sobre a vida a deixar algo que seja útil para outros que assim como eu estão por aqui um pouco perdidos. Perdidos em micro momentos, em pequenos sorrisos e sub expectativas da vida.

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