Arquivo mensal: novembro 2014

Chá de fraldas do Lucca

Antes:
Hoje é dia de ir pará o chá de fraldas do bebê de um amigo meu de infância. Nunca me imaginei comprando fralda como hoje eu fui no supermercado. Quando seus amigos de infância começam a casar e ter filhos, é sinal que você já está acima dos 30 anos.
Admiro as pessoas que consegue confiar em outras pessoas para viver uma vida em conjunto. Admiro quem confia em formar uma família nos dias de hoje. É muita gente rasa pra confiar uma vida em conjunto.
Durante:
Cheguei aqui no condosozinho.Num primeiro momento, como em todo evento que tenho que ir, penso em declinar. Seria muito mais confortável estar em casa estudando, mas o Weslley é o único amigo de infância que ainda tenho contato. Não poderia fazer isso com o cara.
Ao chegar, já fui com a cara do condomínio, que me parece bastante família. Ao chegar, também fui muito bem recebido pela Angélica (a futura mamãe), que me tratou como se fosse um amigo íntimo dela tb. Mas como em toda festa, como não venho com namorada, permaneço aqui sozinho no meio da galera.
Às vezes me pergunto se é um padrão imposto por algo maior que eu, pois en toda festa, a sensação é a mesma: a multidão se diverte, e eu permaneço ali, fora dela. Como se eu observasse a vida dos outros de uma ótica quase inumana. Fico muito feliz por eles, o Weslley é um cara que batalha muito, além do trabalho na semana, ainda trabalha com animação de festa nos Findes, e desde os nossos 20 e poucos anos, trabalhávamos fazendo freelas de montagem e manutenção de pc’s por ai.
Aqui estou, sozinho na multidão. Casamentos, aniversários, comemorações, sempre sozinho

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Shot At The Night

Sou aquele tipo de cara que tem que ver uma coisa um milhão de vezes para poder entender. Só agora que reparei no vídeo clipe do the killers Shot at the night e me dei conta da história.

O desafio na gestão de grandes volumes de dados

Big Data A cada dia mais as pessoas, empresas e outras organizações precisam aprender como gerir grandes volumes de dados. Com a democratização da informática e a ampliação das redes em escala logarítmica, acarretaram na produção maciça de dados e na quase impossibilidade de gerenciar este volume de dados humanamente. Isso vem ocorrendo em várias áreas como: pesquisa, engenharia, astronomia e ciências sociais. Várias vários setores são afetados pela escala moderna de produção de dados, e nesse contexto tem enorme importância o profissional que consegue criar pontes entre áreas, gerando informação e conhecimento. Estamos em um período de transição entre escassez e abundância de dados. O artigo sobre Avalanche de Dados, disponível no site da Fapesp é um ótimo indicador de quais serão os desafios futuros na gestão de informações, planejamento de negócios, mapeamento de cidades e comportamentos da população. Vale a pena ler um pouco e entender como os cientistas estão desenvolvendo novas metodologias de trabalho para criar sinergia entre todos esse fatores. Pesquisa Fapesp

O Efeito Maya / The Maya Effect

Como uma simples conversa no almoço pode tornar-se uma lição para a vida. Certas aleatoriedades e algumas coincidências convergem para que um dia tenho tudo para ser um dia de sinais e aprendizados.

Na quinta feira estava demonstrando para a Maya as evoluções em alguns sistemas de informação que estava desenvolvendo para facilitar a vida do time de vendas. Estávamos discutindo sobre a melhor forma de expor as informações e quais eram mais relevantes. Como estávamos próximos do horário de almoço, resolvermos ir almoçar. Fomos à A Abadia, um restaurante legal na região da Vila Olímpia.

O que parecia ser um almoço qualquer na semana acabou sendo um dia de muitos conselhos e insights para os próximos anos. Uma das coisas que mais admiro na Maya é a sua simplicidade e objetividade em ver e falar das coisas. Sempre conversamos e existe uma sintonia nas linhas de pensamento sobre o futuro e próximos passos. Foi nesse instante que começamos a conversar sobre vida, e foi um momento inspirador para eu, um cara que vive procurando o sentido das coisas.

Comecei a falar sobre a minha trajetória: Algumas pessoas dizem que trabalho demais (e talvez seja verdade mesmo). Muitas horas de concentração para resolver problemas complexos, envolvendo lógica, matemática, inovação e negócios. É uma complexidade tamanha que apenas uma área de conhecimento não dá conta, exige uma multidisciplinaridade e esforço que (realmente), poucas pessoas se dão ao trabalho de fazer isso.

Quando você não tem muito com quem conversar sobre vida e expectativas, começa a se fechar em um mundo egoísta, com perspectivas tão somente a partir do seu ponto de vista. Ok, isso pode até ajudar, mas não é a verdade absoluta. Isso começa a ser um problema quando você passa a achar que o mundo gira em torno do seu umbigo. Você precisa entender não só como você age, mas também como as pessoas vêem as suas ações.

Conversando com a Maya pude notar que nos últimos anos utilizei o meu trabalho como válvula de escape para o término de um péssimo relacionamento, que acabou no final de 2011. De lá pra cá, escolhi não passar mais por situações emocionais, e acabei adotando um estilo muito mais lógico/racional para a minha vida. Olhando para trás, os anos entre 2005 e 2011 tornaram-se a idade média em minha vida, um período de perda a auto-estima, entrega à um amor idealizado que não existia e uma época em que o desenvolvimento humano e profissional acabou ficando em segundo.

Para esquecer dessa fase negra da minha vida, acabei saindo do trabalho em que estava há 10 anos (sim, ela trabalhava na mesma organização em que eu atuava), e decidi procurar novos rumos para minha vida. Há alguns anos eu já estava saindo dessa zona de ignorância, mas a minha “companheira” insistia em viver em um mundo de aparências e status quo. Decidi que para mudar, não deveria perder tempo com relacionamentos fracos, e assim me fechei por um bom tempo. Decidi aplicar o tempo livre em atividades que reforçassem a minha capacidade de raciocínio e lógica. Muita matemática, economia, programação e estudos dos mais variados. Tudo estava indo bem, até que, em 2012, confundi amizade com amor e “achei” que estava gostando de uma amiga minha. Mais um desapontamento para a minha coleção chamada “Vida Afetiva”. Essa situação acabou tornando-se um combustível para a busca de uma vida mais lógica e menos sentimental. Até aí eu estava em um trabalho que eu não sentia o menor prazer em continuar: a gestão da empresa era terrível, não havia planejamento e as perspectivas, para um profissional que tinha aberto mão de tudo em uma das maiores empresas brasileiras para assumir um desafio em uma média empresa, em uma área que não gostava muito, eram mínimas.

Foi quando um amigo meu me fez um convite de entrar em uma multinacional em que ele trabalha, que a princípio eu não conhecia a fundo, apenas sabia que era uma empresa muito boa para se trabalhar (#GPTW). Foi em 2012, que iniciamos as conversas, e em 2013 eu já estava trabalhando nessa organização.

Então, o jogo começou a virar: Eu comecei a notar que as pessoas não são somente pessoas. Negócios não são meramente transações comerciais, mas que existem lugares bons e pessoas boas em todos os lugares. No início, ainda muito desconfiado (vindo de um varejo cheio de armadilhas e de uma pequena empresa onde o que imperava eram os interesses pessoais), não acreditava que aquele ambiente poderia ser tão acolhedor e positivo. Iniciei as atividades em uma área em que as habilidades que eu havia treinado nos últimos anos eram muito bem vindas. As entregas começaram a aparecer e gerar frutos, e eu começava a ser reconhecido pelo trabalho.

Alguns meses depois, comecei a notar que o que eu fazia e minhas inovações eram realmente importantes para o trabalho de toda a equipe. Passei a me dedicar mais ainda aos projetos de trabalho. Porém como o retorno era muito positivo eu acabei me dedicando até demais, passando a trabalhar intensamente nos fins de semana e excedendo nos horários de trabalho da semanais. A princípio isso não foi ruim: era uma mudança de prioridades em que eu me encontrava com o trabalho que me agrada, passei a investir fortemente na minha capacitação, procurando elevar o nível profissional como é de costume em toda a área em que eu atuo.

Cada novação me motivava a trabalhar mais ainda para as próximas melhorias. Sem perceber acabei deixando algumas coisas muito importantes de lado: uma delas é a interação com os meus amigos que acabou sendo prejudicada,  virando noites passando fins de semana desenvolvendo e quando não estava trabalhando eu estava estudando. Essas situações acabaram mostrando-se mais latentes em 2014, pois em 2013 eu já dava sinais dessa mudança. Estava determinado a mudar as coisas no ambiente onde eu estava. Em 2014 eu acabei dividindo o foco do trabalho com a conclusão da minha segunda graduação. Foi um ano muito pesado em termos de trabalho e estudo: quando cheguei ao meio do ano (fim da graduação) comecei a notar que aos poucos eu estava me isolando. Sem correr nem pedalar em muitos finais de semana sem sair de casa apenas estudando e trabalhando. Foram momentos de intensa dedicação para realizar meus objetivos pessoais porém com um preço a se pagar: neste caso foi o isolamento.
Foi aí que aos poucos algumas pessoas começaram a me abrir os olhos para identificar essa situação: a mais importante delas foi a minha mãe, que sempre me acompanhou e vê o meu esforço em mostrar bons trabalhos. Ela era uma das primeiras a comentar o meu isolamento e a minha insistência em trabalhar em períodos tão extenso quantos. Foi aí que eu me dei conta que a coisa tá ficando séria, pois ela não é de comentar sobre isso. A segunda pessoa identificar esse tipo de comportamento foi justamente a Maya, que via a dedicação quase que exclusiva ao trabalho. Na parte profissional risca muito gratificante tudo esta indo muito bem.
Algumas semanas atrás, pedi a Maya me ajudasse com uma nova informação. Foi aí que diz despretensiosamente fomos almoçar  juntos. Foi aí que recebiam dos feedbacks mais importantes da minha vida. Tudo começou com os inputs sobre a parte profissional que ela elogiou o bastante e sabia que nesta área não haveriam problemas. Foi quando ela começou a falar sobre todo desenvolvimento pessoal que comecei a notar que eu poderia estar ficando para trás. Acabei priorizando o profissional e como isso o meu desenvolvimento pessoal estava sendo prejudicado. Os contatos, os passeios, namoro e romance praticamente não estavam fazendo parte da minha vida nos últimos meses. De início não dei muita atenção, pois era justamente o que me prejudicou em situações anteriores, eu estava conseguindo esquecer tudo isso. Porém quando se trata de sentimentos, dificilmente se esquece de tudo que passou: você pode apenas amenizar o que aconteceu. Uma hora ou outra eu teria que enfrentar novamente situações que colocassem em xeque a confiança das pessoas, as relações com elas e a vida. Foi justamente isso que a Maya me abriu os olhos me mostrou que uma vida completa não é feita apenas da parte profissional. É preciso alinhar todo o ecossistema para que a vida faça sentido uma vez que você está muito bem na parte profissional e ruim na vida pessoal e vice versa mais tarde uma hora ou outra a vida te cobra esse equilíbrio.
Falei conte um pouco sobre a minha história  minhas escolhas que fizeram com que eu estivesse aqui neste momento. Por alguns instantes comecei a me ver lá na frente, e pensar se realmente era certo esquecer qualquer sentimento de viver uma vida apenas montada em função de cálculos. Não me pareceu um futuro muito agradável. A partir deste dia comecei a enxergar algumas coisas de forma bem diferente o jeito com que as pessoas se aproximam da necessidade destas pessoas e as expectativas que elas possuem com relação às outras. Foi como seu estivesse vendo a Matrix, só que ao contrário: ao invés de cálculos números de processos eu estava vendo pessoas vidas e formas de conectá-las.

A Maya com sua maneira efetiva de comentar começou a me conscientizar de que eu poderia não estar vivenciando o momento da minha vida, focando somente no trabalho e deixando as atividades sociais em segundo plano. E me fez refletir: “no futuro, eu me arrependeria de não ter vivido o momento corretamente”?

Parece que sempre estamos esperando pelo momento ótimo, a parte da vida em que seremos felizes ou alcançaremos os objetivos tão desejados, mas não é bem assim. Ainda mais hoje, em tempos de grandes máquinas de distração coletiva (Mobile, TV’s, Social), passamos a maior parte da vida projetando as ações futuras, mas nunca chegamos no futuro para realizá-las de fato.

Depois deste dia, passei a tomar um pouco mais de cuidados com a vida pessoal. Não deixá-la de lado como eu vinha fazendo, e talvez perceber em pequenos detalhes, que a vida é feita para ser vivida.

Só tenho a agradecer à Maya Sumiya pela ajuda que me deu durante todo esse período que nos conhecemos. São pessoas assim que fazem outras pessoas mudarem de vida.

#TheMayaEffect

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