Arquivo mensal: agosto 2013

The code of love

Sub amor ()
Dim sentimento as variant
Dim razao as boolean
Sentimento = inputbox “quanto vale o seu amor? ”
Razao = inputbox “o que é liberdade para você? ”
If sentimento > 0 then
Msgbox “you have a problem”
Else
Razao
End if
End sub

Retorno das aulas

Nada demais, só usei o título porque estava a caminho da faculdade. Neste semestre procuro alternativas a rotina.  Novos caminhos e formas diferentes de se fazer a mesma coisa. Como mudar os treinos? Eles só rolam no fds,  mas ainda assim vou tentar uma forma diferente de fazê-los. Preciso dividir mais o tempo com tudo e todos.  A experimentação de treinos  rigidos e matinais no fds me ajudaram a controlar alguns aspectos da vida social. Agora o grande segredo é balancear.
Voltei a jogar uns games no PC,  o q a essa altura é bom. Saí um pouco mais com os amigos no fds, afinal ninguém é de ferro. Passo mais tempo com minha mãe. Essencial. Ainda cabem outras tarefas na agenda.
A vida sem mochilas também me parece interessante,  visto que não somos cangurus. Isso também me faz sentir menos preocupado com pertences e aumenta a necessidade de viver com o mínimo possível.
A bike dobrável foi aquém das minhas expectativas,  mas cumpre o seu papel. Também pagar 3x menos que o preço de mercado literalmente tem o seu preço.

Agora o mais difícil de todos: o amor.

Não tá fácil encontrar uma garota que me interesse. Há alguns anos q isso vem acontecendo. Difícil querer alguém com os mesmos gostos que eu,  e eu imagino que está não será a melhor parceira também.  Sempre procuramos pessoas que nos completem, e nem sempre o mais do mesmo resolve essa questão. Algumas garotas apareceram.  Também não posso usar o álibi que nenhuma garota tenha se interessado pela minha pessoa.  O problema é que elas devem se interessar por alguns aspectos da minha personalidade,  e não por mim.
Quem sabe este ano ainda possa mudar minha derradeira visão sobre o amor e seus efeitos devastadores sobre os homens. Quem sabe…
No mais,  sigo em frente para a parte 2/2 de 2013.
Avante!

Realizei este post entre as estações Vila Olímpia e Paulista

Me apaixonei por 20 Minutos

Saí tarde do trabalho. Desci à plataforma, para a estação.

Estava chateado, como sempre, por vê-las e saber que não existe verdade dentro delas. Apenas mentiras. No máximo a quimera de um amor romântico, desfeito pelas necessidades sociais de se equiparar às amigas. Observei uma mulher de longe: Blusa vermelha, calças azuis. Nada além disso, cabelos loiros. Normal. Apenas para dispersar um pouco.

<Vila Olímpia>

Entrei,

Uma mulher me outro estranhamente, mais de 2 segundos. Estranho.

Mas tudo bem, estava nas últimas páginas do Neuromancer. Deixa eu acabar pra entender direito essa história {Berrini}

Constructos,  simstim. É, essa história me parece bem real. A carcaça de ferro e acrílico que me leva de volta pra casa, junto com tanta gente.

Aparentemente tristes. Às 19:48 não é possível distinguir o que é cansaço e o que é tristeza para quem volta pra casa. Núcleos de atividade humana que concentram grande parte da mão de obra, trabalho intelectual ou simplesmente mais um estudante que tem uma idéia genial e pode criar uma empresa em minutos. Grandes centros comerciais são assim. À minha esquerda nem liguei mais, não preenchia o meu perfil. Percorri o ambiente em busca da minha manola estereotipada, mas desta vez a minha estatística não funcionou: não havia nenhuma representante nipônica na composição. Back to the book.

Então, notei uma Sophie Ellis Bextor uma porta à frente. De repente, me apaixonei instantaneamente. Seus olhos eram lindos. Os cabelos, cortados maneiramente como que não estivesse arrumado, na verdade foi planejamento milimetricamente justamente à isso.

Blusinha com bolinhas coloridas, e seu tecido nude se misturava com o tom de pele mashironna. Lábios vermelhos cordebatom (Mais fraco que o vermelho da calça da Rizzi hoje no almoço). Granja Julieta

Senti por uns segundos o amor. Aquele amor que destrói nossas linhas de raciocínio e nos fazem perder a noção de uma vida chata e acomodada pela percepção dos padrões de comportamento do seu par. Por alguns milissegundos ela era a pessoa que eu precisava ao meu lado para viver a vida inteira. Calça bordeau, jaqueta de couro e aproximadamente 1,75mt num blassé incrível. Saí dos olhos puxados e cabelos pretos, e entrei de cabeça para fora da bolha.

Santo Amaro:

Achei que ela iria sair, afinal pelo senso comum 60% da população sai nesta hora, e torna a seguir o fluxo por outros modais. Não, ela permaneceu. Meu amor aumentou cada vez mais. Passei a ver os detalhes.

Isto realmente é um problema quando eu passo a ver detalhes, é sinal que estou interessado.

Socorro, a passagem é rápida, e eu acabei o Neuromancer. Ela parecia que estava lá só para adornar o livro. Trinnity, ou Molly? Parecia uma mulher em um filtro anos 60. Amarelada e com tons vermelho e nude. Ainda não devia conhecer dos males das pessoas ou das tristezas que elas nos causam. Parecia ter o olhar tenro, perdido pela janela da composição olhando algo muito além da vista do Rio. {Jurubatuba}  Em tempo: Jurubatuba = Terra das palmeiras. Nada que agregue na narrativa.

Prefiro mulheres de olhar perdido. Estas não tem as convicções falhas das pessoas que acham que sabem tudo, e param ao encontrar o tudo, que é um limite antes do impossível. Mulheres de olhares perdidos têm esperanças além dos olhos, vêem e vem outra direção para a vida. Por isso me apaixonei rapidamente. Você sabe que ainda existe esperança que possa ter algo diferente, que mude sua vida ou mude o que você quer. Olhares perdidos são os do reencontro em meio à descrença dos que te cercam. Deixei offline o Android para ver um pouco mais. (Autódromo_ Ela poderia sair agora, mas se não saiu em santo amaro, ou vai para o primavera ou para o grajaú. Sei lá, eu não ligo para essas coisas. Ultimamente não quero prestar (atenção).

Um Dejavú ao lado dela: A mulher de blusa vermelha. Estava sentada (Pessoas sentadas estão cansadas), e eu tirei os olhos dela por alguns momentos para ver esta outra. Mas a mesma estava de Sneaker, moda passageira. Bocejava, não ligava muito para os outros, e estava no assento preferencial. Voltei à manola.

Primavera Interlagos, aqui acabam as coisas. Eu vou, ela fica e vai para a última. Não, ela desceu. Durante estes momentos se ela olhou duas vezes pra mim foi muito.

Então, dei shutdown nos constructos do amor. Emulei o máximo que pude, cheguei a ter uma paixão de 20 minutos, mas a vida é assim. Ela nunca mais vai me ver, e eu: idem.

As portas se abriram, eu na frente, e ela uma porta atrás. Segui meu caminho. Possivelmente ela não me notou, e se notou, deu de ombros. Voltei minha mente à minha segurança de vida e desci as escadas.

Passada a catraca, as vidas voltam ao seu rumo, mesmo que nunca tenham saído dele.

Me apaixonei por 20 minutos.

 

Ele Tirou a Pele Para Mim (HE TOOK OFF HIS SKIN FOR ME)

HE TOOK OFF HIS SKIN FOR ME  / Ele Tirou a pele pra mim

HE TOOK OFF HIS SKIN FOR ME / Ele Tirou a pele pra mim

“É isso que você quer? Ele disse. E eu disse que sim… então ele tirou a pele para mim.”

“Ele era bonito, brilhante órgãos vermelhos e ossos nítidos. Eu vou ao seu encontro para abraçá-lo. Senti seus músculos molhados nus contra meus braços.

Aconteceu pouco antes do jantar. Sentou-se à mesa, fresco como o novo corte de cordeiro que comprei no mercado naquele dia. Cada mordida e sua boca era um rumor delicado, como o braço, mão e mandíbula. Quando ele se levantou para limpar a mesa, eu limpei o rastro do sangue em seu assento antes que percebesse o que seu corpo exposto tinha deixado para trás.
Ele pendurou a pele em um armário, esticada em um cabide de arame ao lado de casacos, ternos e gravatas. Às vezes, pela manhã, pela abertura dos meus olhos na cama, eu o vi levantar a pele do armário e mantê-la ao seu corpo como se estivesse pensando, é isso que eu sinto vestindo hoje? É este o estado de espírito correto? Então, lembrando-se, enfiou a pele de volta para o armário e tirou uma camisa em seu lugar.
As pessoas comentavam sobre sua aparência diferente, mas não conseguia colocar o dedo sobre ele. Você perdeu peso? elas perguntavam, arranhando seu queixo.
De certa forma sim, ele dizia. Sorrindo um sorriso vermelho para mim.
Frases curtas eram diferentes para dele. Ele amava as palavras, gostaram muito de utilizar as diferentes formas  para dizer a mesma coisa uma e outra vez até que ele tinha certeza de que ele foi totalmente compreendido. Mas ele  tinha menos a dizer agora, ou sentiu que já estava dizendo.
Eu tinha que lavar os lençóis de cama com mais freqüência, uma vez por dia, quando podia. Os cobertores absorviam o cheiro do seu corpo aberto durante o dia, muito tempo depois que ele tinha ido para o trabalho. Tomei banho mais vezes também. À noite, ele me segurou e de manhã eu tirei minhas roupas fora como uma coxa suada em uma cadeira de plástico quente.
Fazer amor não foi diferente. Isso me surpreendeu, mas quando eu pensei sobre isso, eu percebi que era o mesmo, apenas duas pessoas mostrando uns aos outros como eles se parecem sem pele.
Enquanto ele estava no trabalho, eu iria verificar a pele no armário para se certificar de que ele não estava vestindo-a por aí. Ele me disse uma vez que ele não estava tendo tanta sorte com os clientes. Eu disse-lhe que eram os clientes errados.
As pessoas certas não se importam, eu disse. As boas pessoas virão.
Ele disse que ia ficar sem dinheiro se esperasse apenas pelas as pessoas boas.
Eu disse que estava tudo bem comigo.
Nós paramos de sair para restaurantes ou bares e usamos as economias para aquecer a casa. Ele ficava gelado fácil e andava com um cobertor sobre os ombros nus do músculo, levando xícaras de chá quente. Ele derramou seu copo de uma vez. Ele não conseguia esconder as lágrimas de mim, porque não havia guardá-las de volta.
Uma noite, subiu na cama e as luzes estavam apagadas, mas eu podia sentir que ele ainda olhava para mim, uma sensação que eu tenho sentido muito nestes dias. Sentei-me. Eu acendi a luz.

O quê? Eu perguntei.
Eu esperava que ele dissesse: “nada”, porque isso é o que ele costuma dizer quando eu perguntei, o quê? Ele gostava de manter algumas coisas privadas, porque eu podia ver tudo o resto.
Mas ele não disse nada. Ele não disse nada. Ele apenas ficou lá. Eu assisti o pulso ao lado de seu pescoço, um tremor persistente da vida. Olhei para sua virilha, olhei para seus pulsos. Tudo estava pulsando.
Ele olhou para mim, os olhos marejados. Ele pegou meu braço com os dedos vermelhos quentes.

Eles param de se falar. O silêncio é ensurdecedor. Ela começa a se preocupar que ele possa estar arrependido.

Ele está.”

 

 

Quando vi esse texto no perfil do Desiludindo S/A, me identifiquei na hora com o personagem que retira a pele por amor à sua mulher, e recebe absolutamente nada em troca. “Ele Tirou a Pele Para Mim” é uma adaptação de um conto da premiada escritora Maria Hummer. É uma história sobre os sacrifícios que fazemos para a pessoa que amamos e os problemas que encontramos quando os sacrifícios se tornam unilaterais.

Eu nunca fui um cara bem aventurado do amor. Desde pequeno, venho enfrentando os sacrifícios unilaterais. As últimas histórias de amor têm parecido mais uma história de terror do que um romance.

Meu último namoro, de quase 5 anos, resume bem este conto da Maria Hummer. Havia muita dedicação da minha parte, sacrifícios e abdicação de amigos e desejos pessoais. Coisas que sem perceber, acabei deixando de fazer para agradar uma pessoa que aparentemente era minha companheira. Atravessava a cidade toda a semana para vê-la, sem perceber que isto não significava absolutamente nada para ela. Antes disso, havia passado seis anos triste pela perda de um amor de colégio.

No último ano me apaixonei por uma amiga. Algo quem sentido, talvez do instinto humano de imaginar que você precisa de uma companheira ao seu lado. Então o lado direito do corpo acaba exercendo seus dons: Criatividade, imaginação e quimeras foram formadas a partir de uma ínfima esperança de um romance. Bem, o final não foi dos melhores: Assim que ela ficou sabendo que eu a admirava, fui excluído da vida dela, e fiquei sem nenhum tipo de contato por 1 ano.

A cada dia, noto que é mais difícil encontrar uma pessoa que tenha o mínimo de compatibilidade comigo. E as mulheres têm perdido o interesse em mim. Não sei o que pode estar acontecendo. Eu me esforço bastante para entendê-las, dou o máximo de atenção para deixá-las felizes mas tudo o que recebo em troca é uma indiferença imensa.

Então não tiro mais minha pele por ninguém. Já fiz isso por mulheres que não valeram a pena, e com o tempo, as cicatrizes nos ensinam que não devemos fazer isso novamente.

Texto original da autora em:

http://english.wisc.edu/devilslake/issues/spring2013/Hummer.html

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