Hiroshima Mon Amour

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Ontem assisti um filme que há muito tempo havia postergado: Hiroshima Meu Amor. Ultimamente tenho evitado assuntos e conteúdos relacionados ao amor, visto que já entrei em boas enrascadas por conta desse sentimento, e quase perdi uma amizade de anos por conta disto.

O filme, de 1959, extrai com grande competência os sentimentos e as controversas relações amorosas que permeiam a vida humana. A trama entre os dois personagens, Eiji Okada e Emamuelle Riva, ambos casados, se envolvem em uma relação amorosa lembranças de ambos (com maior força à atriz) vêm à tona e desencadeiam uma série de diálogos entre o presente de esperança e o passado trágico, onde Emanuelle perdeu seu amor em Nevers (Curiosamente, em inglês, Nevers faz alusão à palavra nunca) assim que ganhou a liberdade.

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Pequenas frases ao longo do filme me fazem lembrar da minha vida. O filme proporciona esta sensação a todos os expectadores, com frases de efeito e que remetem à lugares, pessoas e lembranças longínquas.

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Estranhamente, esta é a sensação que tenho quando me apaixono por alguém. Ao mesmo tempo que esta pessoa pode trazer o brilho nos olhos, também pode trazer consigo as dores e “mais uma morte” em minha vida. A nossa procura por uma pessoa que realmente nos faça feliz e que entre em nosso mundo para completar a caminhada, rumo a algum lugar deste mundo.

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Ao longo do filme, Emanuelle cita Hiroshima como a cidade onde ela encontrara a Paz. Ela foi para lá para atuar em um filme sobre a paz, e imaginaria que Hiroshima significava o fim da Guerra, e o novo tempo de paz que ela estava procurando. Ao mesmo tempo, tenta resolver seus conflitos psicológicos em um romance com Eiji Okada, Engenheiro e político que conhecera na cidade.

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Utilizei esta frase em 2012. Esquecida entre os dias de outono, e não mais que isso. Na verdade, a primeira vez em que usei com convicção. Então percebi a grande diferença entre as pessoas: O que tem imenso valor para você pode não significar absolutamente nada para outra. Essas palavras, presas por 31 anos e guardadas para uma hora apropriada, foi recebida simplesmente como um conjunto de palavras em significado algum por outrém. Ali eu notei o fim do amor, e que por mais que eu tente lutar contra a ausência dele e tentar driblar o destino, as circunstâncias me provam que sentir algo por uma pessoa, em minha existência, sempre será a opção errada.

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Outra lição aprendida neste ano: acabamos sendo seletivos demais com os outros. Coisas podem acontecer debaixo de nossos pés, e não percebemos.  Apenas notamos o que queremos notar. Eu tento ver tudo o que me circunda, mas o próprio ato de selecionar o que quero ver pode fazer com que perca pequenos detalhes da vida, e dos acontecimentos.

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Esta sequência é muito boa. Explica como somos todos loucos por aqui. O filme é excelente em sua construção, utilizando flashbacks e passagens silenciosas, que o fazem refletir. Nesta passagem, Emanuelle, discursa sobre a loucura, comparando-a com a inteligência. Não podemos de fato explicar o que é loucura. Nem o mais sábio dos seres humanos têm uma definição do que é. Somos todos loucos por aqui. É um estado muito pessoal, de reflexão sobre você mesmo, e sobre o mundo. Mas você não sabe quando isso acontece. Pode ser louco e nem notar isto. Você pode entender o que é a loucura? Sabe diferenciá-la? A personagem explica sobre sua maldade quando achava que estava louca. Mas realmente era um estado em que se encontrava? Não seria má o tempo todo, e então louca por completo?

Hiroshima Mon Amour

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Hiroshima Mon Amour               Sim, o olhar de uma pessoa que não vemos a tempos denuncia o esquecimento que temos com os outros. Aquele gesto de fechar um pouco mais os olhos ao ver um conhecido, amigo de anos atrás ou tentar lembrar seu nome. Os olhos sempre denunciam o que passamos internamente.

Para quem nunca assistiu, recomendo o filme. Para os padrões atuais, onde as emoções são explicitamente gesticuladas, reações exaltadas por todo o filme, talvez muitas pessoas não entendam a estética de um filme de 1959. Considerada uma obra prima do cinema, esta produção franco-japonesa merece todos os créditos por sua beleza e profundidade ao analisar a memória, a psicologia e o comportamento dos personagens, bem como os traumas que os afligem.

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Publicado em 31 de maio de 2013, em Amor e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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