Um novo amor

A vida é sempre cheia de surpresas. Nunca sabemos quando algo pode dar certo, ou dar errado. Assim é a vida. Não o controle sobre o que pode acontecer. Resta a nós controlarmos o presente, pois o passado se foi e o futuro ainda está por vir.

Desde criança eu já praticava esportes, não com a mesma tenacidade que na vida adulta, mas não era uma criança sedentária. Sempre procurava fazer atividades ao ar livre, pois na minha época, isso era muito normal. Cresci sem telefones celulares, alguns vídeo-games (o Nitendinho e o Master System no primeiro momento, e depois o Super Nes e o Mega Drive) mas nada que nos limitasse a ir para rua e passar bons momentos em atividades recreativas.
Então, veio o início da idade adulta: Aquele mundo do corporativismo e trabalho duro e o estereótipo do sucesso contemporâneo: trabalhe muito, conquiste seus objetivos e cresça para o mundo. Trabalho e mais trabalho, faculdade, amores, e o esporte acabou ficando em segundo plano. Me lembro bem dessa época, mas naquele momento parecia tão natural deixar de fazer as coisas que eu nem me dei conta do hiato que estava se formando.
Eu tinha uma paixão, acho que desde os meus 12 anos. Foi quando ganhei minha primeira bike. Lembro até hoje quando meu pai trouxe pra mim uma Caloi Cross, daquelas com “almofadinhas” na barra e placa no guidão e tudo mais. Era uma bike muito bacana para a época. Você podia correr em qualquer lugar, e ela aguentava o tranco. Pistas que nós fazíamos em terrenos abandonados, no asfalto, na terra, em qualquer lugar. A manutenção era feita pela pessoa que vos escreve. Não precisávamos de oficina para bikes. Tudo era feito no quintal de casa ou na rua. Troca de freios, pneus, rodas, ajustes e tudo mais. E olha que tínhamos 12,14 anos!
Confesso que era meio louco nesse tempo, fazia tudo o que podia com ela: Empinar, derrapar, descer belas e grandes ladeiras e o restante das outras loucuras em manobras, como andar sem as mãos, “surfar” na bike, e correr somente com o o pneu da frente. Este é um dos motivos pelo qual nunca comprei uma moto: Minha mãe sempre tinha medo das minhas loucuras com bikes, e achava que eu faria o mesmo se pegasse uma moto.
Talvez crianças entre 12 e 16 anos nem imaginem fazer isso, mas na minha época estes eram alguns dos requisitos para sermos chamados de “Loucos”.
Um pouco depois também comecei a praticar Skateboarding, ou o SK8, para quem é do movimento. Também é um esporte muito bom, sempre gostei de esportes radicais, mas os lugares para se andar acabavam se tornando muito longínquos (para quem morasse em Interlagos) e aos poucos foi cessando a minha motivação para o skate.

Quando estava no ensino médio, passei a usar uma bike compatível com o meu tamanho (afinal, estava crescendo, né?). Foi então que encarei uma aro 26 que minha mãe havia ganho em um bingo como meio de transporte para o curso de inglês que eu estava fazendo. Isso durou 6 meses, visto que durante o curso tive um amor platônico com uma garota chamada Elaine, e depois que tudo acabou, não pude continuar o curso por conta do trabalho que havia arranjado.
Entre 2000 e  o final do ano de 2010, praticamente não realizava nenhum exercício físico além da corrida (que comecei em 2008). Foi através de uma grande amiga que o meu amor voltou a tomar forma.
Então, pelos idos de 2010, eu voltei a encarar uma bike pelas ruas de SP. Ainda um pouco desajeitado, pois não praticava há anos, mas como dizem: Você nunca se esquece como é andar de bike. Uma vez aprendida a lição, você só precisa praticar. E foi assim que aos poucos voltei a entrar nas vias com duas rodas.

2010 – Ciclovia Rio Pinheiros

Inicialmente fazíamos o perímetro mais próximo de casa, e com o tempo os passeios foram tornando-se “pedais”, passeios um pouco mais longos, mas não tão próximos como os passeios para os iniciantes. Mas a minha paixão era latente: Corrida desde 2008 era o q me fazia levantar às 5:00AM em um domingo para correr 5,10 ou 20K.
Agora, depois de quatro anos na ativa como corredor de rua, comecei a procurar novas formas de me manter em movimento. Foi aí que voltei para o meu primeiro amor: a Bike. Mas perae: não foi tão simples assim. Foi um processo de reinserção depois de uns 10 meses que me fizeram voltar a realmente praticar o ciclismo com vontade.
Antes de tudo, minha grande amiga foi o pontapé inicial que me fez voltar a andar de bike. Começamos a traçar rotas e caminhos por vários lugares: Ciclovia, Ciclofaixa, Avenida Paulista, Brooklin, Centro, Vila Olímpia, Santo Amaro e muito mais. Quando vimos já estávamos começando a fazer treinos frequentes de Duatlon, com o Marcos, que tem um background muito forte de bike e nos impulsionou para treinarmos cada vez mais. Começamos a utilizar a ciclovia e ciclofaixa aos domingos, para os treinos de bike, com parada no Parque do Ibirapuera para realizar a transição e praticarmos a corrida em sequência. Tudo no melhor horário possível: A partir das 6, 6:30 da manhã.

Parque do Ibirapuera: 6:40AM em um Domingo: Você está fazendo isso CERTO!

Como estes treinos passei a ter mais contato e notar as diferenças entre os treinos de corrida de rua e os treinos de bike. Por mais que os treinos de corrida sejam democráticos, permitindo que qualquer pessoa em boas condições físicas possa praticar, ainda existe o fator fisiológico, que é limitador para qualquer praticante desta atividade. O que isso significa? Significa que eu não posso chamar o meu vizinho para treinar uma corridinha de 20K com ele, pois nem todos possuem o condicionamento para isso. Corrida de rua é treino, condicionamento,disciplina e equilíbrio psicológico. Para alguns, um treino de 20K pode ser bem exaustivo.
Com a bike, existe a possibilidade de você percorrer maiores distâncias com um esforço bem mais moderado. Embora você precise do equipamento (a bike, óbvio), esse meio é bem democrático, permitindo que jovens, idosos, crianças e adultos possam realizar grande parte das atividades juntos.
Portanto, é mais fácil chamar os amigos para dar uma pedalada pela cidade do que fazer um treino de meia maratona =P
Então, do início do ano pra cá passei a comparecer nas vias e faixas dedicadas a esse meio de transporte nos fins de semana, intervalando com as corridas e treinos na USP (A meca dos corredores de rua).


Idéia #fixa


Pois bem, todo reencontro é cheio de histórias, novidades e novos olhares. E não é que passei a olhar a magrela com outros olhos também?
Eu peguei a mountain bike da Flávia, que está trabalhando fora do Brasil e não pode mais andar, então achou melhor vender pra mim, já que eu “alugava” o equipamento por boa parte do ano.
De mountain bike, você tem a vantagem de poder treinar em qualquer lugar, por pior que seja o piso ou pavimento onde você esteja. Mas acabava ficando difícil para acompanhar o Marcos com sua speed e andar um pouco mais rápido nos fins de semana. Foi quando eu presenciei, em um sábado na estação de metro pinheiros, um cara com uma bike extremamente fina. Mas não foi isso que me chamou a atenção (Além das cores gritantes dela), e sim dessa bike possuir somente uma marcha. Isso mesmo, não haviam outras catracas, facilidades ou complicadores. Nada de cabos de freio, passadores ou outro tipo de intervenção: Somente o quadro, os pneus, e só.

Registro da primeira #fixie em SP



De uns anos pra cá, passei a ter um comportamento muito mais objetivo com tudo, passando também a admirar o minimalismo e adotar práticas simples e diretas. Talvez isso me fez olhar para aquela bike e pensar: “É isso cara! Simple & Clean!”
Acabei nem perguntando pra ele o que era aquilo, mas como sempre, tirei uma foto e fui pesquisar sobre isso.
Foi quando me deparei com um mundo que eu não sabia que existia. O mundo das fixas.
Fixed Gears, Fixie, Fixa, Single Speed, whatever! Se você procurar sobre qualquer um desses termos vai encontrar a mesma coisa: Gente afim de simplificar a vida, e viver livre de amarras.
Comecei a entrar cada vez mais nesse mundo, e continuava a fazer meus pedais brutais aos domingos pela ciclovia, acompanhando da minha Mountain Bike (ou MTB, para os fortes, hehe).
Foi quando, coincidentemente, neste dia em que eu fiz 100K, encontrei com um ciclista com uma fixa exatamente igual a da foto que eu havia tirado no trem, e perguntei onde eu poderia comprar uma igual. Foi quando ele mencionou a tre3e, uma empresa que fabrica essas bikes fixas e e customiza conforme a sua necessidade. Entrei em contato logo na segunda feira com o Flávio, que é o proprietário da empresa para orçar uma como a da foto abaixo:

Uma dica: Se você quiser montar a sua própria bike, também pode acessar o FixieStudio.com e montar a sua



Após receber o orçamento, a criação da minha magrela foi iniciada. Realmente eu estava entrando no mundo das bikes fixas. Se você leitor tiver a oportunidade, experimente andar um dia em uma bike dessas. Você vai entender o sentido da frase: “Reaprendendo a andar”.
Ah, e o resultado foi bem próximo do que eu realmente havia pedido:

Bem, e desde uns 20 dias até agora estou reaprendendo a andar de bike, e continuo percorrendo a cidade na corrida de rua.
Já fiz o meu primeiro passeio ciclístico de bike fixa na companhia da Débora e do Danilo (que já eram bikers antes da minha volta às ruas) que aconteceu neste último domingo no centro de São Paulo. Foi na Eco Bike 2012, e pela nossa animação, muitos estão por vir. O próximo inclusive já tem data marcada: 30/09/2012 – Circuito Pedalar Caloi
Para quem deseja entender mais um pouco como é o mundo das bikes fixas, recomendo assistir antes os dois vídeos abaixo para entenderem um pouco o significado de andar com este tipo de bike:

Macaframa San Fransisco
É uma galera que costuma criar vídeos muito legais sobre a cultura fixie na califórnia, como é o dia a dia de quem anda por São Francisco e suas vias

Mash SF
Um “passeio” com Lance Armstrong pela cidade. Just for fun =)

E claro, alguns sites brazucas sobre esse tipo de bike:
http://www.tagandjuice.com.br/
http://www.tre3e.com/
http://fixedbr.wordpress.com/
http://fixasampa.wordpress.com/

E gringos:
http://mashsf.com/
http://macaframa.com/
http://blackfixie.tw/bft/

Bem, há muito mais pra ser dito sobre bikes. E com certeza será dito, pois a cada dia essa modalidade de lazer e esporte atrai mais adeptos. Ao longo desse ano vamos dividir experiências de corrida de rua e ciclismo, e espero que todos reunidos possamos incentivar outras pessoas a levar uma vida melhor e mais saudável.

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Publicado em 18 de julho de 2012, em Amizade, Amor, Ciclismo, Infância e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Ai gente preciso comprar um bike =/ desse jeito vc me convence rsVai na meia da Asics?Bons Kms de bike =)Fabi

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  2. Oi Fabi! Compra sim! Aí a gente monta uma galera bacana pra pedalar nos fins de semana. Já estamos em 8 pessoas :)Quanto à Asics, acho q não vou não. Tô dando um tempo das meias, rsrs. Bjo!

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  3. Ismael,sou corredor, de são paulo, equipe Baleias, em lua de mel com a roda fixa… meus blogsBlog de corridas sem atualização de postshttp://dundes.com/ex-sedentarioBlog de bicicletashttp://dundes.com/baotamemSe tiver algum amigo no face que seja baleias, va nos amigos e procure por Lucio Rodriguesum abraço do Claudio Dundes

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